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23 de set. de 2009

Dançando no Salão, vamos arriscar?


Kenio Nogueira
(Asgar Centro de Dança)


A dança sempre foi uma paixão para os casais. Independentemente dos relacionamentos, sejam oficiais ou não, esta arte motivou e motiva os mais variados convívios. Desde as danças sagradas no oriente, nas cortes européias da Idade Média, as danças geométricas do Egito antigo, nos palácios gregos, enfim, a dança sempre esteve no centro das manifestações da alma humana em busca do sagrado. Sua prática tornou-se cada vez mais elaborada, havendo um aperfeiçoamento de movimentos ao longo da história.
Sob os aspectos físicos e psíquicos podemos ressaltar os efeitos terapêuticos, inclusive sociais, promovendo mais harmonia e novas amizades entre as pessoas. Médicos e terapeutas já indicam a prática da Dança de Salão para auxiliar no tratamento de casos de depressão, solidão, falta de coordenação motora, vícios de postura, etc. pois ocupa a mente, desenvolve os movimentos e promove consciência corporal. Com isso elimina maus hábitos, eliminando ou diminuindo a timidez, o medo do público e os preconceitos mais antigos que impedem o livre agir do ser humano. É considerada uma atividade física moderada / leve pelos especialistas, sendo também uma manifestação artística da cultura popular de um povo.
A alegria proporcionada ao se dançar no salão, em movimentos harmônicos e ritmados ao som de fundo, acaba por contagiar todos aqueles que assistem os dançarinos. Vários alunos vêm me falar depois de poucas aulas: “Olha professor, ontem a gente foi num baile e as pessoas ficaram olhando a nossa dança. Acabou a música e algumas delas vieram nos cumprimentar e dizer como estávamos dançando bem…!” Esse tipo de acontecimento não é surpresa para quem já aprendeu a dançar, e muita gente já deve ter passado por isso algum dia. É gratificante, pois manifesta o reconhecimento de nosso esforço pelo público. Do esforço recompensador de quem aprende a dar os primeiros passos; sim, porque num salão de baile há os dançarinos na pista e o público nas mesas. Sempre essa dualidade a representar uma espécie de “micro-espetáculo” natural.
Isto é dança de salão! Isso é arte! Isto é o princípio da harmonia entre um homem e uma mulher. Tão difícil de se ver hoje em dia, mas que a dança de salão se propõe a ensinar. Ensina o respeito, o tempo certo de fazer as coisas, além do ritmo e da postura na hora da dança. Como o cavalheiro postar-se em frente à dama, como a
dama interagir com ele e como duas pessoas que nunca dançaram na vida podem se entender muito bem no salão. Com algumas aulas o aluno já sente segurança em convidar uma dama para dançar sem medo de errar o passo ou fazer feio no meio do baile. E mais, ele dança de tudo!

Começando pelo BOLERO, um ritmo romântico, para dançar a dois e bem juntinho, com suavidade, firmeza e elegância. Depois passa para o SAMBA DE GAFIEIRA, um ritmo genuinamente brasileiro, que popularizou o samba nas mais diversas regiões do nosso Brasil. Aí ele vai para o FORRÓ, um ritmo muito gostoso de se dançar e que todo mundo sente prazer na música, desde os mais jovens até os mais idosos, que apreciam a voz e a música de nossos sagrados cantores, como Luiz Gonzaga, Elba Ramalho, Fala Mansa e outros. Aí chega a vez de reviver o passado, a época de ouro dos anos 50, 60 e 70, onde o rock tomou forma e corpo na América e no mundo inteiro, em variadas vertentes e matizes que se estendem até hoje. Tudo isso é aprendido na dança de salão além dos ritmos caribenhos, como a SALSA (extremamente explosiva e até mesmo romântica e “política”, tem para todos os gostos), o merengue, o mambo, o cha-cha-cha, o zouk (ou lambada-zouk, como queiram), etc. E não vamos nos esquecer da clássica VALSA, que também tem que ser devidamente conhecida para ser bem dançada, pois apesar de ser aparentemente fácil, tem suas características que lhe dão um grau de dificuldade considerável.


Enfim, a dança de salão é rica. Tão rica quanto as etnias que vivem no solo de nosso grande e cultural país, ainda que espalhadas ao longo da América do Sul, pois que o TANGO genuíno e bem caracterizado, é o argentino. Assim é que, se no tango encontramos muita introspecção, sedução e cumplicidade, podemos praticar alegria, explosão e irreverência, no nosso samba bem brasileiro.

E que vença o equilíbrio perfeito entre a Essência e a Forma!

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