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3 de out. de 2009

Dicas pra melhorar o baile (4ª/4)

fonte: Jornal Dance | agosto/2009











É lícito fazer passos de show?
É, desde que o espaço na pista permita, sem atrapalhar o fluxo e sem colocar ninguém por perto em risco. Afinal, as pessoas aprendem e praticam tanto nas academias para que? Para nunca usar? E mais: ouse sempre,  improvise, tente criar seus próprios passos. Isso tornará sua dança mais rica e prazerosa, além de inovadora. 

Dancem um para o outro
Dança a dois é troca, conexão e emoção. O prazer deriva disso. Quem tenta fazer da parceira, ou parceiro, mera escada para exibicionismo não está dançando. O homem tem que saber esperar e respeitar os tempos musicais da mulher, fazê-la brilhar. E ela precisa também tomar iniciativa, entender as sugestões do cavalheiro e responder de forma ativa e bonita.

Ausência a dois
O pior defeito de qualquer dançarino, ou dançarina, não é desconhecer passos ou conduzir mal. É o descaso com o outro. Por exemplo, dançar virando a cabeça para os lados, dando fé de tudo que está acontecendo ao redor e nas mesas. Alheio ao parceiro. É uma dança totalmente desprovida de emoção. Fujam de quem tem esse péssimo hábito!

Aplaudir, sempre
Gostou da banda? Bata palmas, sempre. Gostou do show? Idem. Isso para os profissionais é extremamente importante, gratificante, estimulante. Mas se não gostar, esqueça. Conduza a dama à mesa Meninos, que coisa feia quando largam a dama sozinha na pista depois da seleção. Pois saibam que é uma das coisas que elas mais reparam e reprovam em vocês.

Marcação
Em baile de academia, por favor, esqueça aquela marcação contadinha que o professor passou em aula. Aquilo é só para efeito didático, você não precisa nem deve dançar assim. Faça tudo a seu modo, inclusive criando adaptações justamente para fugir da marcação padrão e sem graça.

1 de out. de 2009

Dicas pra melhorar o baile (3ª/4)

fonte: Jornal Dance | agosto/2009








Bafo de onça
Halitose, popularmente conhecida como mau hálito, é um problema sério em bailes e aulas de dança. Carregue sempre um pequeno kit com escova, pasta, fita dental. Comeu algo, doce ou salgado, escove. Tomou cafezinho, escove. Passou um bom tempo, escove. Aquele gostoso bolo de aniversário, dez minutos depois, segundo os dentistas, já estará com o açúcar penetrando sorrateiramente em seus dentes, para causar futuras cáries. Não é só o hálito que está em questão, mas também sua saúde bucal. Chiclete ou goma de mascar também ajudam a disfarçar o hálito, mas dispense na hora de dançar, não é nada estético. Num show, então, fica horrendo.

Cigarros e copos
O cigarro agora está proibido nos ambientes coletivos e a multa é pesada. Mesmo assim vale a recomendação: jamais dançar fumando. Além de feio, típico de quem não é dançarino, pode queimar alguém e causar grave incidente. E lugar de copos e garrafas é nas mesas, bem longe da pista de dança, pelos mesmos motivos. Se você enxergar alguém fumando ou bebendo na pista reclame com a direção da casa. Compete a ela coibir os abusos dessas pessoas sem educação. 

Não force passagem
Querer abrir caminho na pista na base do corpo a corpo é uma grande mancada. Numa pista lotada não tem sentido julgar-se o tal e sair dando esbarrões e forçando passagem. Os grandes e verdadeiros dançarinos respeitam os demais casais e sabem se comportar num espaço concorrido. Esbarrão é atitude típica dos piores dançarinos. Fique longe deles!

Aceitar ou não o convite?
A famosa tábua, a recusa ao convite para dançar, é válida e aceitável só em casos especiais. Por exemplo, se o homem se apresentar bêbado, ou fizer o convite de forma rude. Ou, ainda, se tiver fama de comportar-se de forma
inadequada durante a dança. Pode ser por assédio ou pela forma de dançar, expondo a mulher a situações constrangedoras e/ou que possam causar contusões. Fora desses casos extremos, a recusa à dança é uma grosseria, que fere quem convidou em sua auto-estima. Mas ninguém é obrigado a dançar uma seleção inteira. Agradeça e pare quando quiser.

Mulher pode convidar?
Pode e deve, não há nada de errado nisso, principalmente entre amigos. Essa etiqueta machista e arcaica algum dia vai desaparecer. Nas milongas argentinas, na prática, as mulheres também convidam, com o olhar.

29 de set. de 2009

Dicas pra melhorar o baile (2ª/4)

fonte: Jornal Dance | agosto/2009





Vem gente na preferencial!
Vai entrar na pista para dançar? Não custa nada esperar um pouquinho a passagem do casal que está vindo em sua direção. Simplesmente entrar e barrar bruscamente o caminho é falta de educação e cortesia.

Querem conversar? Saiam da pista
A turminha se encontra e começam os abraços e beijinhos, mais o bate-papo, em plena pista de dança. O baile que se dane... Isso às vezes é inevitável, então quando acontecer com você, que tem bom senso e respeito pelo baile, convide o grupo para se afastar da pista enquanto conversam. 

O espaço é de todos!
Nada contra quem se acha o rei da cocada preta. Desde que respeite o espaço coletivo. Em pista cheia não dá para fazer show, muito menos movimentos perigosos, que possam atingir alguém. Será que algum dia os engraçadinhos vão entender coisa tão simples?

Peça desculpa
Acontece com todo mundo, é normal: de repente, involuntariamente, você atingiu alguém com o pé ou braço. Que atire a primeira pedra quem nunca passou por isso. Interrompa imediatamente a dança e peça desculpa. Simplesmente ignorar e seguir seu caminho é demonstração de grossura.

Lave as mãos
A principal recomendação contra a gripe suína é lavar constantemente as mãos. Porém, com gripe ou sem gripe, convenhamos: é tremenda falta de consideração com os demais ir ao banheiro e simplesmente sair sem lavar as mãos. Muitas pessoas, homens e mulheres, não tomam esse cuidado por mera preguiça. É um absurdo.

Preserve o banheiro
Usou o banheiro? Lembre-se que outros também vão usar. E que você certamente ainda vai voltar ali, gostando de encontrar tudo limpo, em ordem. Sempre acione a descarga, mesmo que seja só um pipi rápido. Não dá choque. Não jogue papel no chão. Homens, atenção para não pingar fora do vaso. Não deixe o mármore da pia inundado. Em dois segundos você passa um papel-toalha, é tão simples. As pessoas realmente civilizadas são aquelas que sabem se comportar num banheiro.

Troque a camisa
Está calor, baile lotado, você sua intensamente e encharcou a camisa. É simples: troque. Existem vários tecidos que não amassam e podem ser levados enroladinhos em qualquer bolsa de mão. Ninguém merece dançar abraçado com uma pessoa ensopada de suor, é extremamente desagradável.

27 de set. de 2009

Dicas pra melhorar o baile (1ª/4)

fonte: Jornal Dance | agosto/2009






Ronda do baile

Uma sugestão para quem entende de dança de salão e promove bailes: pelo menos uma vez, durante a festa, use o microfone para sugerir o respeito à ronda do baile. O que vem a ser isso? Dançar em linha reta, seguindo uma faixa imaginária, como essas para os carros nas ruas. Jamais em diagonal ou fazendo zigue-zague, muito menos fora do sentido anti-horário. Já cansamos de repetir aqui que o baile atravancado é uma praga que precisa ser extirpada. Quando as pessoas entenderem a importância disso teremos bailes mais fluídos e gostosos. É muito importante também o deslocamento, sempre em linha reta. Quem gosta de dançar lento ou quer curtir um amasso deve usar o centro da pista, deixando espaço livre para quem gosta de dançar rápido e se deslocando. 

Cotovelos, cuidado!
Já que não dá para deixar os cotovelos em casa, seria interessante que todos seguissem uma norma dos grandes tangueiros argentinos: dançar sempre com os cotovelos apontados para o chão. Jamais erguidos, como uma arma pontuda, que a qualquer momento pode atingir alguém. Além da segurança, manter os cotovelos abaixados melhora a postura e o visual dos casais. 

Cadeiras na pista 
Quem ocupa mesas junto à pista de dança do baile precisa ficar atento a um detalhe: sempre que se levantar, recolher a cadeira para junto da mesa. É muito desagradável esbarrar em cadeiras durante a dança, e isso acontece a todo momento, em todos os bailes. 

25 de set. de 2009

Professor TEM que dançar com aluno em baile?


fonte: Jornal Dance 
por Milton Saldanha
02/Julho/2007
 

É preciso entender e fixar os limites e lugares certos para cada tipo de comportamento nas relações entre alunos e professores de dança. Existem muitos equívocos que precisam ser esclarecidos. A dança no baile é prazer. Se virar obrigação profissional começa a complicar e a perder a graça. 

É bom mudar de opinião de vez em quando. É isso que nos dá a sensação de sermos seres pensantes e não cabeçudos inveterados. O tema deste editorial é um caso típico em que mudei de opinião. Durante muito tempo achei que os professores de dança de salão deveriam dançar com seus alunos nos bailes. Essa posição atendia ao que chamaria de interesses do nosso meio, a importância de motivar pessoas e até de formar mercado de trabalho. Pois bem, não penso mais assim. De repente, com base na minha experiência de eterno aluno de dança (no momento tango), passei a achar isso não apenas uma grande bobagem, mas também um erro que pode causar mais estragos nas relações do que bons resultados. Esse raciocínio percorre um caminho longo e sinuoso, com muitas variáveis. É um tema vasto, talvez polêmico, rico em vertentes. Vou me ater aqui, até por limitação de espaço, a alguns pontos que considero mais importantes e ficaria muito feliz se o debate fosse enriquecido pela participação dos leitores, tanto para concordar como discordar, de forma ampla ou breve, mas sempre democrática. A coluna Compasso do Leitor existe para isso. A única exigência é que a linguagem seja educada, mesmo num eventual texto contundente. Primeiro ponto: dança em baile é acima de tudo prazer, troca afetiva, combinação de habilidades. Tem quem existir química entre o casal, não no sentido sexual, como habitualmente se fala, mas de aceitação da mesma linguagem corporal. Sim amigos, dançar é como falar um idioma. Formamos frases com nossos corpos e olhos, por vezes provocações, o outro responde. No tango é uma
linguagem ainda mais hermética, cheia de códigos, e é por isso que não basta o cavalheiro ser firme na condução. Se a dama não conhecer esses códigos, for pobre no vocabulário, não perceber suas nuances, e estiver desprovida de criatividade para elaborar seus próprios movimentos, a dança não acontecerá. Sendo ele o condutor, acho que nem preciso dizer que vale o mesmo, em dobro, para o homem. Já ouvi e continuo ouvindo de vez em quando algumas queixas de alunas, ou alunos, que não são tirados nos bailes por seus professores/as. 

Uma delas, minha amiga, moradora numa capital sulina, chegou a cortar relações e mudou de professor por causa disso. No caso, extremo, teve toda a razão. O sujeito, conhecido por sua arrogância, foi grosseiro. A recusa à dança, quando mal formalizada, fere as pessoas. É um soco na auto-estima. Isso explica a hesitação dos homens quando chegam num ambiente que ainda não conhecem. Certa vez vi um rapaz, coitado, ouvir três
negativas consecutivas. E nem era uma pessoa de má aparência. Quase a nocaute, visivelmente chocado, foi embora do baile. Uma lástima. Com todo homem já aconteceu. É mais ou menos como broxar, e o efeito psicológico é quase similar. Certa ocasião, numa milonga em São Paulo, no Campo Belo, uma jovem senhora me recusou a dança alegando que já tinha trocado de sapatos. Alguns minutos depois estava na pista, dançando. A razão: eu era iniciante no tango. Além de mostrar que não é uma pessoa generosa, não lhe passou pela cabeça
que depois de algum tempo eu aprenderia. O problema não é que eu lhe faça falta, seria horrenda presunção pensar isso, e sim que, a cada recusa, com esse hábito não recomendável, ela própria vai se condenando ao ostracismo. O incidente de certa forma até me ajudou, porque, indignado e movido por temperamento apreciador de desafios, me apliquei nas aulas. Vejam como é a vida: antes do episódio eu enxergava essa pessoa com simpatia e gostava do seu jeito de dançar. Depois, associei sua imagem com a atitude antipática. Jamais voltarei a dançar com ela, nem em bailes, nem em práticas, nem mesmo em workshops. Se não tiver alternativa, fico fora. Todo homem que tenha vergonha na  cara deve fazer o mesmo sempre que levar uma tábua indelicada como essa. Algum dia essas grosseiras e metidas a grandes dançarinas acabam sem nenhum parceiro, e vão merecer.

Só admito e até recomendo a recusa se o homem estiver bêbado, sem asseio, todo suado, com a roupa descomposta, além de  ter fama de praticar assédio sexual. Também no caso de sua dança ser grotesca, o que nada tem a ver com ser iniciante. Que vá aprender, pô! Mas essas são questões de comportamento, da vida social, da etiqueta. Seria absurdo entender como ético que professores tenham a obrigação de dançar nos bailes com seus alunos. Nas práticas, da própria academia, que são uma extensão das aulas, aí sim eles têm esse dever. Aula é trabalho e relação comercial. Isso precisa ficar definitivamente claro. Um paga, outro ensina. Ambos lucram. É óbvio que isso tem que envolver simpatia recíproca, no caso de aula particular, senão fica insuportável. Mas baile, fora da escola, é outro campo totalmente diferente. Eu até prefiro que minhas professoras de tango não dancem comigo nos bailes se para elas isso for uma mera concessão profissional e não um prazer com emoção. Sem isso nenhuma dança é gostosa. Elas sabem mais do que eu, então é mais do que natural e aceitável que queiram dançar com quem lhes traga novos desafios, ou mais fluidez, quem sabe até aprendizado. Sobre a emoção na dança vale a pena abrir aqui um parênteses para expressar um conceito profundamente importante. Há tangueiros de shows cheios de técnica e passos complicados, mas que não passam ao público avançado no tema a mínima emoção, porque dançam com frieza. Li recentemente excelente artigo da bailarina argentina Carmen Iglesias, na revista portenha "La Milonga Argentina" (maio), sobre a emoção no tango. Ela trata justamente disso, afirmando com argumentos sólidos que de nada adianta toda a técnica do mundo se não existir o principal, que é a emoção. Suas palavras: 

"Sea en el estilo salón, milonguero, del centro o nuevo, si no hay conexión emocional entre quien marca, y quien se entrega a esa marca, pueden estar haciendo pasos interesantes y espectaculares, pero ciertamente no están bailando tango".

Como todo mundo, incluindo professores, eu também tenho minhas preferências nos bailes. Aquelas damas com as quais divido o verdadeiro prazer de dançar. Não quero a rainha do baile, nem preciso provar nada a ninguém. 
Quero simplesmente aquela dama que mostre prazer em dançar comigo, e me proporcione a mesma alegria. Nada mais, nem menos. E isso a gente descobre no primeiro minuto, no abraço, nas respostas, na cadência dos passos, na caminhada milongueira, na respiração controlada, no ouvir junto a música respeitando as pausas, sem exageros ridículos, na serena elegância,  na entrega à condução que leva à sincronia do casal. Dançar bem é isso. E não importa se o dançarino é iniciante, intermediário ou avançado, a base serve para todos. Desse conjunto deriva o prazer. Não é mostrar friamente que sabe duzentos passos, geralmente fora da música, para exibição pública. O aluno tem que respeitar o momento do professor no baile, com a percepção que ali é um espaço de lazer e descontração, não de trabalho e obrigações para nenhuma das partes. Se ele quer curtir com a parceira dele, e só, ou num pequeno grupo, não há nada de errado nisso. É preciso observar ainda que não há tempo num baile para fazer cortesia a todos os alunos. Por que só você teria o privilégio? Existem as situações especiais. Professores que levam os alunos para um baile, por exemplo, para curtirem juntos horas agradáveis, sem o rigor cansativo das aulas, e para colocar em uso o que aprenderam. Mesmo essa turma deve tomar chá de
semancol e não achar que o professor tenha a obrigação de dançar com eles em todos os bailes futuros. Existem também as horas em que o professor quer distância dos alunos, não por falta de carinho, mas para descansar e ter seu próprio momento no baile. Isso não é um escândalo, não pode ser mal interpretado. É o precioso momento do respeito ao lazer do mestre. Sacanagem é não perceber e violar seu direito à privacidade, ainda que o baile seja um local público. Lástima, mesmo, será dançar simulando prazer, para não perder o cliente. Cena comum entre determinados "personal dancers". Não todos, claro. Alguns sequer se dão ao trabalho de disfarçar o tédio. Existe uma enorme diferença entre curtir o baile e cumprir a tabela. O detalhe é que a dança não perdoa. 

Basta ver a energia que emana do corpo e o olhar. Se ambos estiverem opacos, sem brilho, enquanto o aprendiz
tolo se ilude achando que está abafando, no íntimo o mestre estará torcendo para a música acabar logo. Vale a pena?