Últimas postagens:

9 de mar. de 2009

Sertanejo Universitário em Joinville

Diário Catarinense | 26.12.2008
Tendência do verão
Pra dançar juntinho
Sertanejo universitário invade as principais casas noturnas de SC
Sabe aquele jeito romântico de dançar a dois, mais grudadinho? Pois é, ele está voltando à moda com o 
sertanejo universitário. Batidas mais animadas conquistam a galera nesta nova versão do sertanejo que promete ser um dos ritmos mais fortes do verão.

– O jeito de dançar faz toda a diferença; o gingado é mais gostoso e fica fácil de conquistar – resume Antônio Neto de Moura, 27 anos, estudante de Administração e freqüentador assíduo das baladas sertanejas.
O clima tranqüilo e descontraído também é um atrativo. Universitários entre os 20 e 30 anos são o público mais fiel. O repertório é composto por clássicos sertanejos com versões atualizadas que embalam os pares no dois-prá-lá-dois-prá-cá – ora mais acelerado, ora mais lento, quando os rostos colados dão o charme da dança. Há também os grupos que ficam apenas no embalo.

Novos nomes conquistam os adeptos do ritmo que começou nos barzinhos das universidades do interior de São Paulo, há alguns anos, e que agora se espalha pelo país. João Lucas e Léo, dupla de sucesso da nova geração, explicam que a diferença do sertanejo tradicional é a pegada das

 músicas e a energia da galera. Toda semana, eles fazem show em Floripa.

– Será a febre do verão – promete Léo.

E o ritmo invade até redutos de outras tribos. Casas famosas pelas baladas eletrônicas e pagode já têm dias reservados ao sertanejo universitário.

– Nós adoramos e viemos sempre. O clima e o astral são diferentes, dá pra agitar e dançar junto – conta Willian Sperandium 20 anos, estudante de Ciências da Computação, que curte o sertanejo com a namorada Vivian Freitas,19, (foto acima).

Aquele preconceito que rondava o sertanejo parece que ficou para trás. Então, fique à vontade: com ou sem chapéu, tire a moça para dançar.

_____________________________________________________________

Sertanejo 

universitário 

atrai público jovem por causa do 

"ritmo de micareta"


Com elementos da música pop e do axé, gênero caçula do sertanejo rompeu barreiras e preconceitos

Bruno Dias

 

Como todos os gêneros da música brasileira, o sertanejo também evoluiu e se adaptou conforme o tempo. A mais recente atualização do estilo atende pelo nome de “sertanejo universitário”, seguindo exemplos de variações “universitárias” do forró e o pagode.  

Com uma levada mais acelerada, e misturando elementos do rock, pop e do axé, o sertanejo universitário ganhou esse nome graças ao público que o ajudou a se popularizar. “Se você pegar o sertanejo em geral ele é dividido em quatro fases. Começou com a música caipira, de Tonico e Tinoco, Zico & Zeca, que era uma música mais do campo. Depois transformou-se no sertanejo, que teve como representantes Matogrosso & Mathias, Milionário & José Rico. Aí veio o sertanejo moderno de Zezé di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo. E hoje é o sertanejo universitário”, ensina João Bosco, da dupla João Bosco & Vinicius.  Os dois eram universitários no Mato Grosso do Sul quando formaram a dupla, João é formado em odontologia e Vinicius em fisioterapia. E através dos contatos feitos dentro desses cursos, e de cortesias dadas a estudantes de cursos menos rurais, como medicina, começaram a levar um público que não costumava acompanhar as “baladas” de músicas sertaneja. Esses mesmos universitários também adotaram outro expoente do gênero, César Menotti & Fabiano. 

Graças aos freqüentadores dos barzinhos de Belo Horizonte, a dupla foi ganhando espaço até ultrapassar a barreira dos universitários. “Quando a gente começou a cantar em Belo Horizonte, nós cantávamos numa casa noturna na zona Sul, e lá os universitários abraçaram o nosso trabalho e foram os maiores divulgadores nossos. E até hoje eles são nossos maiores divulgadores”, conta César.  Para o diretor musical do Villa Country (a principal casa do gênero em São Paulo), Carlos Anhaia, hoje o pessoal está um pouco mais aberto para a música sertaneja, graças à mistura de estilos presentes no sertanejo universitário. “Com a influência de axé, o sertanejo alcançou outra tribo. O pessoal que usa bota [country] gosta do sertanejo universitário, mas vem muita gente que usa tênis, freqüenta micareta...”, explica Carlos.  

A balada

Em São Paulo, as duas principais casas de shows voltadas para o sertanejo são a já citada Villa Country e a Estância Alto da Serra. Acompanhamos uma noite de sexta-feira, dia de maior movimento, no Villa Country.  “Villa” é um lugar com capacidade para 4 mil pessoas, todo temático, localizado no bairro da Água Branca. O público que costuma freqüentar o local possui uma faixa etária que vai dos 18 a 30 anos. “A casa sempre teve show de country e sertanejo. Mas com a chegada de César Menotti & Fabiano [que lotou a casa em seu primeiro show no local], o Villa passou a se dedicar ao sertanejo universitário”, conta a assessoria de imprensa da balada.  

A casa lembra um parque de diversões com temática country devido ao grande número de ambientes e atrações, que incluem restaurante e loja de roupas do estilo. Ao mesmo tempo em que um telão mostra vídeos e shows de duplas sertanejas na “praça do cavalo”, no “saloon” rola uma banda de country (da própria casa), e, na “praça sertaneja”, duplas caipiras se apresentam, enquanto o público dança animado. Numa sexta, todos os ambientes costumam ficar lotados, e engana-se quem pensa que apenas cowboys vestidos de chapéu, bota e fivela freqüentam o ambiente.  É o caso das amigas Cibele Pereira Batista, Eveline Ribeiro e Karina dos Anjos, das três, apenas Cibele sempre gostou de sertanejo. “Sempre gostei de moda de viola. E agora estas novas duplas vieram acrescentar mais ao gênero. Consegui convencer minhas melhores amigas a vir aqui. E elas só gostam de rock”, diverte-se.  Os advogados Caio Garcia, Tadeu Castro e Jeferson Moreira, todos recém-saídos da universidade, também foram atraídos ao local por causa do sertanejo universitário e pelo público feminino que esse gênero costuma atrair. “Eu gosto do Victor e Leo, mas vim por causa das universitárias”, confessa Jeferson.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário