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23 de nov. de 2008

Espaço Interpessoal na Dança de Salão

Estudo realizado na Universidade Estadual Paulista comprova o que já se conhece popularmente: as pessoas tendem a se aproximar do(a) parceiro(a) com o(a) qual mais gostam de dançar, por afinidade ou por técnica de dança.

Em 2002, alunas da Universidade Estadual Paulista desenvolveram estudos científicos que comprovam e explicam o comportamento dos casais na dança. Elas estudaram esse comportamento usando a dança de salão como ferramenta ao estudo do contato corporal. O interessante desse estudo não está no seu resultado, até óbvio demais. Reside sim na conclusão, que nos leva à origem dos comportamentos encontrados e seus motivos. Isso permite aos profissionais da dança de salão entenderem melhor seus alunos, clientes, colegas enfim, as pessoas envolvidas no processo de dançar. Mais uma vez, com a palavra final: o ser humano.

O contato corporal exigido na dança de salão pode não ser confortável para aquele que dança. O objetivo deste estudo foi verificar se há relação entre aproximação/distanciamento dos casais, durante a dança de salão (Valsa), com o “melhor dançarino”; “pior dançarino”; “com quem mais se gosta de dançar”; “com quem menos se gosta de dançar”. Participaram 24 alunos de graduação matriculados na disciplina "Dança de Salão". Todos os alunos responderam a um sociograma e, em seguida, foram filmados enquanto dançavam Valsa Vienense. Os resultados demonstraram que há aproximação dos casais quando o par é o “melhor dançarino”, ou é a pessoa “com quem mais se gosta de dançar” e também que há um distanciamento dos casais quando o par é o “pior dançarino”, ou é a pessoa “com quem menos se gosta de dançar”.

O contato corporal, muitas vezes necessário na dança de salão, nos leva a indagar como os corpos dos que estão dançando "falam" se estão confortáveis ou não com o parceiro com quem dançam, em especial em casos de cursos, quando às vezes, têm-se que dançar com alguém que nunca se viu antes.

De acordo com estes resultados, podemos verificar que há uma aproximação dos casais quando o par é o “melhor dançarino” ou é a pessoa “com quem mais se gosta de dançar”, e também que há um distanciamento dos casais quando o par é o “pior dançarino” ou é a pessoa “com quem menos se gosta de dançar”. Os resultados confirmam o trabalho de Volp (1994) onde, em entrevista após uma aula de dança de salão, os jovens afirmaram que para aceitarem dançar com outras pessoas o que importa, em primeiro lugar, é que o (a) parceiro (a) que convida saiba dançar e, em segundo lugar, “a pessoa como ela é”, não importando nem o tipo físico (alto/baixo; gordo/magro) nem a aparência física (feio/bonito; mal-arrumado/bem-arrumado). Embora no presente estudo não se tenha questionado sobre o aceite para dançar, pode-se pensar que o aceitar dançar está muito próximo do aceitar a aproximação do parceiro (a).

Conclui-se que a relação aproximação/distanciamento do (a) parceiro (a) na dança de salão está intimamente ligada ao gostar ou não do (a) parceiro (a) e do quanto ele (ela) é considerado (a) bom (boa) dançarino (a). Segundo Silvester (1990), para uma boa execução na dança um dos fatores mais importantes é a boa postura. Neste estudo ficou claro que a postura e, conseqüentemente, a boa condução leva a uma aproximação dos casais, especialmente em danças que exigem a aproximação, (...) impossibilitando o total distanciamento que alguns dançarinos tentam impor. 

Algumas importantes contribuições para a área, portanto, podem ser destacadas. O professor de dança de salão deve investir na correção da postura e condução dos casais. A troca constante de parceiros também deve ser incentivada para aprimorar a condução e permitir maior possibilidade de sociabilização no grupo.

Para que se possa ampliar a pesquisa, sugere-se que seja acompanhado o desempenho (nota) do aluno em aula, para compará-lo à opinião dos colegas do grupo a respeito da sua performance ao dançar. Essa comparação pode indicar se o dançarino escolhido pelo grupo através do sociograma é, realmente, aquele que melhor dança. Sugere-se também incluir no questionário inicial perguntas que possam esclarecer o conforto/desconforto do indivíduo em relação às atividades que requerem algum tipo de contato corporal. 

Este estudo foi realizado por:

Sandra Regina Garijo de Oliveira
Catia Mary Volp
Lilian Mayumi Otaguro
Ana Clara de Souza Paiva
Silvia Deutsch

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